"Somente sob a benção de teu ancião ousarás criar outro de tua espécie. Se desafiares este decreto e gerares vida sem permissão, tanto tu quanto tua cria serão ceifados nas sombras, condenados a um sacrifício eterno por tua desobediência." - 3ª Tradição: A progênie.

 


• ☆ •


Alexandra

 

Acordei com uma dor de cabeça insuportável. Tudo estava escuro, e o peso em minha cabeça parecia querer me puxar de volta para o sono. Com um esforço, me sentei, mas uma onda de tontura me fez deitar novamente. Esperei até que aquela sensação nauseante passasse, e, finalmente, levantei devagar, caminhando pelo quarto às cegas até a janela. Abri a cortina lentamente, e um dia nublado me saudou; nuvens escuras cobriam o céu de Londres.

 

 

Não era surpresa acordar em minha própria cama. Sempre era assim, como um ciclo inescapável. Será que Blake havia me trazido para casa? Fui até o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim. Fechei os olhos e deixei minha mente vagar. O beijo em minha pele... aquela voz que atormenta meus sonhos... Blake agindo de forma estranha. Tudo parecia um borrão.

 

 

Após o banho, escolhi uma roupa confortável: moletom preto e meu velho all-star. Desci as escadas e encontrei Bárbara ajeitando a sala. Ela era uma figura constante em minha vida, quase como uma mãe. Sentamos no sofá, e me deitei com a cabeça em seu colo. Seus dedos acariciavam meus cabelos, trazendo uma sensação de conforto que há muito tempo não sentia.

 

 

Conversamos por horas. Bárbara sabia como ninguém os segredos e dores que eu carregava. Ela perguntou sobre minha noite, sobre Blake, e contei sobre o beijo. Meu primeiro beijo... e mesmo com a confusão, havia algo reconfortante na presença de Bárbara.

 

 

Os dias passaram lentos, trancada em casa, presa em meus pensamentos. Toda noite eu sonhava com aquele estranho. Sua presença era como uma sombra, um vulto envolvente e sedutor, sussurrando promessas que eu não entendia. Mas a intensidade daqueles sonhos aumentava a cada vez, e eu podia sentir suas mãos frias contrastando com minha pele quente. Ele dizia que eu era dele, mas nunca revelava quem realmente era.

 

 

 

 

Na manhã seguinte, acordei com o despertador tocando insistentemente. Como odiava acordar cedo! Barbara veio ao meu quarto, insistindo para que eu me levantasse para o primeiro dia de aula. Me arrastei até o banheiro, me vesti com o uniforme escuro e, sem muito entusiasmo, fui para a escola.

 

 

Cheguei e fui direto para minha primeira aula. Assim que entrei na sala, os olhares curiosos se voltaram para mim, mas ignorei e me sentei no fundo, pegando meu celular para me distrair. Foi quando uma garota, Caroline Saunders, se aproximou com um sorriso que parecia forçado. Ela dizia conhecer minha família, mas sua simpatia exagerada me irritava. Estava prestes a mandá-la embora quando Blake entrou na sala, salvando-me daquela conversa.

 

 

Payne sentou ao meu lado e, embora sua presença fosse reconfortante, percebi que ele estava diferente, distante. Disse que estava resolvendo problemas fora da cidade, mas não consegui entender completamente o que se passava. Antes que pudesse questioná-lo mais, ele pegou meu celular e trocou nossos números.

 

 

Mais tarde, na aula de matemática, um novo rosto surgiu. Harry Styles . Ele pediu para se sentar ao meu lado, e aceitei sem pensar muito. Sua presença era perturbadora, uma mistura de charme e mistério. Ele parecia me conhecer mais do que deveria, como se enxergasse através de mim. Fiquei desconfiada, mas havia algo nele que eu não conseguia resistir.

 

 

Conforme a aula prosseguia, não conseguia afastar a sensação de que Styles sabia mais do que estava disposto a revelar. Ele era intrigante, com um sorriso que parecia carregar segredos antigos e perigosos. Saímos juntos da sala, e, assim que chegamos ao refeitório, Payne nos viu e seu olhar ficou sombrio. Era evidente que havia tensão entre os dois, como se compartilhassem um passado conturbado.

 

 

 

 

Os dias na escola se tornaram um jogo constante de tensão e rivalidade entre Payne e Styles. Parecia que eu estava presa entre duas forças que não entendia completamente, mas sabia que ambas eram perigosas. Um queria me proteger, enquanto o outro parecia atraído por algo que nem mesmo eu compreendia.

 

 

Sério mesmo que aqueles dois vão ficar brigando? Não vou me meter em desavenças entre eles. Estava distraída com esses pensamentos quando, de repente, um garoto surgiu do nada na minha frente, com um sorriso encantador.

 

 

— Oi! — Ele disse animadamente, os olhos brilhando. Fala sério, parece que só tem cara bonito nessa escola!

 

 

— Oi. — Respondi, tentando disfarçar minha falta de entusiasmo.

 

 

— Não me diga que você tá assim por causa daqueles dois, né? — Ele falou, percebendo meu desconforto.

 

 

— Eu não gosto de brigas, só isso.

 

 

Ele deu de ombros e se sentou ao meu lado, como se isso fosse algo completamente normal.

 

 

— Não esquenta, esses dois vivem se estranhando desde sempre. — Ele disse, casualmente. — Só não entendo por que o Styles resolveu se mudar pra cá, sabendo que aqui é o território do Payne.

 

 

— Território? — Franzi a testa, achando aquela conversa toda um tanto bizarra. — O que eles são, filhos de mafiosos?

 

 

Ele riu com gosto, balançando a cabeça.

 

 

— Não exatamente. Payne era o “manda chuva” por aqui até o Styles aparecer e querer tomar conta. Eles vivem brigando, tipo gato e rato. Mas não se preocupe, isso é só o jeito deles. Ah, eu sou Louis Tomlinson, a propósito. — Ele estendeu a mão num gesto amigável.

 

 

— Alexandra Dakvell. — Apertei sua mão, sorrindo pela primeira vez.

 

 

Nós continuamos conversando, e Louis se mostrou um ótimo companheiro de conversa, cheio de piadas e comentários engraçados sobre a escola. O tempo passou voando, e antes que eu percebesse, o sinal tocou. Caminhamos juntos para a próxima aula, que era Educação Física.

 

 

Enquanto a turma jogava futebol e vôlei, aproveitei para conversar um pouco mais com a professora antes de me sentar na arquibancada. Louis estava sempre por perto, fazendo a aula passar mais rápido com suas histórias.

 

 

Quando o sinal finalmente tocou, seguimos para a aula de Literatura. Ao entrar na sala, notei Harry de um lado e Liam do outro, ambos no fundo, me observando em silêncio. Escolhi um lugar entre os dois, mas não me incomodei em puxar conversa com nenhum deles. De repente, a presença leve de Louis ao meu lado fez toda a diferença, e pela primeira vez, a tensão entre os dois parecia não me afetar tanto.

 

 

Durante o restante das aulas permaneceu na mesma, com os dois se olhando feio e eu no meio, me sentindo a pior amiga que não consegue escolher um lado. O que me salvou foi ter Louis ao meu lado me fazendo rir.

 

 

Nem notei quando a aula finalmente acabou, fui para casa exausta. Já cheguei jogando minhas coisas no canto do meu quarto, fui pro banheiro tomar uma ducha rápida e fui direto pra cama e o sono me venceu rapidamente. No meio da madrugada, despertei com uma sensação de estar sendo observada. Meus olhos se abriram e lá estava Harry, sentado na poltrona do meu quarto, me encarando com uma intensidade predatória.

 

 

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar. Ele não respondeu, apenas se aproximou lentamente, sua presença fria e envolvente. O toque de sua mão no meu rosto me fez estremecer, como se ele fosse uma figura saída diretamente dos meus pesadelos. Harry sussurrou algo ininteligível, e eu me perdi no momento. Seus movimentos eram controlados, porém intensos, me deixando incapaz de pensar claramente.

 

 

Quando me dei conta, ele havia desaparecido tão rapidamente quanto surgiu, deixando um rastro de incertezas e perguntas que eu não conseguia responder. Mais uma vez, eu estava sozinha, presa em um jogo sombrio do qual mal compreendia as regras.

 

 

 

Eu sabia que aquilo era apenas o começo de algo maior e mais perigoso. Os dias sombrios em Londres se tornariam ainda mais intensos, e eu estava no centro de uma batalha que nem sabia que estava acontecendo.

 

 

 

Pov de Harry

 

Desde que aquela garota se mudou para a casa ao lado, perdi o controle. O aroma dela é inebriante, um vício que desafia minha razão, e fiz de tudo para manter distância. Outro dia, a encontrei no cemitério, junto daquele cachorro imundo, mas não estavam sozinhos. Havia uma presença ali, algo poderoso, invisível aos olhos, mas impossível de ignorar. Queria me aproximar; o perfume dela me atraía como uma promessa sussurrada, mas ele a afastou de mim, carregando-a para longe.

 

 

Tentei resistir, mas não consegui. O máximo que fiz foi observá-la de longe, esperando o momento certo. Me matriculei na escola dela, um movimento calculado para mantê-la perto de mim, mas aquele maldito cachorro estava sempre no caminho. Na primeira chance, me aproximei, mas ele se colocou entre nós, um obstáculo que não hesitei em confrontar. Só não acabei com ele ali mesmo por causa dela. Quando Alexandra saiu, deixando-nos sozinhos no refeitório, não perdi tempo.

 

 

— Saia do caminho, cachorro. Ela não é pra você. — Minha voz saiu fria, um aviso.

 

 

— Muito menos pra você. — Ele respondeu com um sorriso debochado, os olhos brilhando em desafio. — Caso você não tenha percebido... Ela já tem dono.

 

 

— Nada que eu não possa resolver num piscar de olhos.

 

 

Payne rosnou, a ferocidade de um alfa que sabia bem o que estava em jogo.

 

 

— Quer começar uma guerra, Styles? Este território é meu. Você e sua raça são intrusos aqui. Eu a escolhi, e quem se meter com a fêmea de um alfa está assinando sua própria sentença de morte.

 

 

O cheiro de sangue parecia pairar no ar entre nós, a tensão era palpável, como uma promessa de violência.

 

 

— Veremos, Payne. — Me levantei, cada palavra um veneno gotejando dos lábios. — E essa conversa está longe de acabar.

 

 

Naquele instante, ficou claro: o que começava ali era mais que uma rivalidade; era o prenúncio de uma guerra inevitável entre mim e Liam Payne.

 


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