Pov de Louis
Desde que conheci Alexs, minha vida tomou um rumo inesperado — e, talvez, até sombrio. Entre todas as mudanças, uma das mais marcantes foi a amizade que desenvolvi com as duas figuras mais temidas da cidade: Payne e Styles. Todos conhecem a rivalidade implacável entre eles, algo que alimentava histórias e mantinha o resto de nós a uma distância segura. Mas desde que Alexs surgiu, tudo mudou. De forma quase inquietante, eles começaram a se tolerar, até mesmo a colaborar, ainda que os atritos permaneçam latentes, sempre à espreita, como uma tempestade prestes a desabar.
Eu sempre soube que havia algo de obscuro nos dois, mas jamais imaginei que um dia faria parte desse mundo. Estar ali, naquele lugar, e testemunhar o que vi era mais do que minha mente conseguia processar. A cena parecia saída de um filme de terror, mas desta vez não havia Niall ao meu lado para sussurrar que aquilo tudo não passava de ficção.
Meu pulmão ardia, implorando por ar, quando um impacto repentino me lançou ao chão. Um pouco tonto, vislumbrei Alexs lutando contra a mulher que nos ameaçava. Seria este o nosso fim? O que eu poderia fazer para ajudar? A lembrança das estacas me assaltou. Funcionariam mesmo?
Sem hesitar, agarrei um pedaço de madeira que, a essa altura, parecia ser um cabo de vassoura, e avancei em direção às duas. O risco era grande; eu poderia acertar Alexs acidentalmente. Foi então que a vi empurrar a mulher para o alto, e, com um grito determinado, exclamou:
— Agora, Louis!
Impulsionado pela adrenalina, não pensei duas vezes. Fui em frente e cravei a madeira na mulher ainda no ar. Ao cair, ela soltou um grito agonizante e se contorceu, enquanto Alexs se aproximava, impiedosa, e sem pensar duas vezes, decapitou a criatura, arremessando a cabeça para longe.
O homem loiro, em estado de fúria, abandonou Josh e partiu para cima de Alexs. Instintivamente, entrei na frente dela, mas antes que pudesse me dar conta, senti suas mãos apertando meu pescoço com força desumana. Ele se afastou rapidamente de Alexs, tornando-me um alvo vulnerável. A dor ardia em meu pescoço; o desgraçado havia me mordido.
O que aconteceu a seguir foi uma sequência de eventos rápidos e aterrorizantes. Eu me sentia como um boneco de pano, à mercê da força dele. Antes de tudo escurecer, vi Harry emergir das sombras, seus olhos negros transbordando ódio. Ele avançou na direção do loiro, atacando-o com tal fúria que o lançou longe. Antes que eu caísse, pude sentir os braços de Harry envolvendo meu corpo.
— Louis! Fica comigo! — Ele exclamou, a preocupação evidente em sua voz.
Era estranha a visão dele assim, pois eu sempre acreditara que ele não se importava comigo. Ouvir sua voz, tão familiar e melodiosa, pronunciar meu nome era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, era tarde demais.
Pov de Harry
Minha mente fervilhava quando recebi uma mensagem de Josh, mantendo-me atualizado sobre os passos de Alexs. A ideia de deixá-la sozinha me consumia por dentro, mas era necessário; precisávamos garantir nossa segurança contra os antigos.
Assim que saí do aeroporto, outra mensagem pingou em meu celular, revelando os planos imprudentes de Alexs. Quando ela aprenderá a não se meter em confusões perigosas? Um pressentimento sombrio se instalou em meu peito, indicando que algo ruim estava prestes a acontecer.
O tempo até chegar ao local se arrastou, cada segundo se tornando uma eternidade. Quando finalmente cheguei em frente ao prédio abandonado, corri o mais rápido que pude. Ao entrar, a cena que encontrei fez meu sangue ferver: um maldito vampiro segurava Louis pelo pescoço.
Sem pensar duas vezes, avancei, mas o vampiro se antecipou e cravou seus caninos no pescoço delicado de Louis. A visão me cegou de raiva. Afastei o maldito e amparei Louis em meus braços, incapaz de acreditar no que acontecia. O humano mais doce que já conheci estava ali, à beira da morte, sua vida sendo drenada lentamente.
Sempre o observei de longe, temendo perder o controle e me entregar à tentação de seu sangue. Ele me tocava de uma maneira que eu não conseguia explicar. E agora, eu estava prestes a perdê-lo.
Com todo o cuidado, deitei Louis no chão empoeirado e voltei minha atenção ao vampiro. Como ele ousara tocar no MEU humano? Em um frenesi, eu me vi dilacerando seu pescoço sem um pingo de compaixão. A insanidade tomou conta de mim até que senti a mão de Josh me imobilizar.
— Harry! Acorda! — Ele gritou, a urgência em sua voz penetrando a névoa de raiva.
— O que foi? — Perguntei, confuso.
— Sua besta... Está assustando a Alexs.
O choque me atingiu. Eu não percebera o terror em seu olhar até aquele momento.
— M-me desculpe... — Murmurei, buscando recuperar o controle.
— Precisamos tirar Louis daqui agora. — Disse Liam, aproximando-se. — Ele está morrendo... — A gravidade de suas palavras ecoou no ar. — Não vamos conseguir chegar ao hospital.
— O que faremos? — Alexs perguntou, a preocupação evidente em seu tom.
— Posso mordê-lo e... — Liam começou, mas fui tomado por um rosnado primal.
— Ninguém toca no meu humano.
O destino de Louis estava em minhas mãos. Eu precisava decidir: deixá-lo descansar ou transformá-lo em algo novo, mas igualmente sombrio. A linha entre vida e morte se estreitava, e a escolha era minha.

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