Pov Alexendra

 

 

Assim que estávamos prontos, saímos em direção ao prédio abandonado. Notei que Josh estava focado demais no celular, mas resolvi não dar importância. Ele e Louis caminhavam um pouco à frente, enquanto Liam e eu seguíamos atrás. Por causa do Louis, não podíamos falar abertamente sobre certos assuntos, e ele prestava atenção em tudo o que falávamos.

 

 

 

 

Senti o toque leve de Liam no meu braço, e isso já começava a me irritar. Ele sempre consegue mexer comigo com gestos mínimos. Eu estava perdida em pensamentos, debatendo com minha loba interior, quando senti as mãos de Liam segurarem meu rosto.

 

 

 

 

— Ei, está tudo bem? — Ele perguntou, com aquele olhar doce e preocupado.

 

 

 

 

— Acho que sim... Por quê?

 

 

 

 

— Eu estava te chamando há um tempo, mas você não respondeu. Algo te preocupa?

 

 

 

 

— Eu... descobrir mais sobre o meu passado me assusta. — Hesitei, mas continuei. — Tenho medo do que posso me tornar, e tudo isso agora, de uma vez...

 

 

 

 

— Alexs, calma. — Disse ele, firme, tentando me confortar. — Estou do seu lado. E não esquece que o Styles também está aqui pra ajudar.

 

 

 

 

— E... o outro? Ele não vai me deixar em paz. Sei que alguém quer me ver morta, e, se estou viva, é por causa dele.

 

 

 

 

— Um dia de cada vez. Se não, você vai se perder nisso tudo.

 

 

 

 

Conversamos por mais um tempo, até que Louis nos chamou. Havíamos chegado. Um prédio antigo e mal iluminado erguia-se à nossa frente, parecendo abandonado, mas cautela nunca é demais. Decidimos contornar o lugar para não chamar atenção, evitando a entrada principal.

 

 

 

 

Fomos pelos fundos, e Josh sumiu na escuridão, reaparecendo do outro lado, perto do portão, com um sorriso enigmático.

 

 

 

 

— Como você...? — Louis perguntou, surpreso.

 

 

 

 

— Segredo. — Respondeu Josh, piscando para ele.

 

 

 

 

— Seu amigo é estranho, mas é gato, admito. — Louis cochichou para mim, embora, com certeza, tanto Liam quanto Josh tenham ouvido, pois vi os dois trocarem olhares rápidos; Liam revirou os olhos e Josh apenas riu, mostrando a língua.

 

 

 

 

Seguimos uma trilha estreita e mal cuidada atrás do prédio, até nos depararmos com a porta dos fundos trancada. Liam, sempre prático, deu a volta e pouco depois nos chamou. Ele havia encontrado uma janela quebrada, por onde conseguimos entrar.

 

 

 

 

Apenas a luz fraca das lanternas iluminava o lugar enquanto avançávamos pelos corredores empoeirados. O ar estava pesado e o silêncio absoluto só aumentava a tensão. Decidimos nos dividir para cobrir mais terreno. Liam e Josh foram explorar a parte superior, enquanto Louis e eu descemos para o porão, onde esperávamos ter mais sorte.

 

 

 

 

Cada passo ecoava no silêncio, e a tensão era palpável.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pov Liam

 

 

 

 

Vir ao lado do “defunto” não era minha primeira escolha, mas eu não podia arriscar que o Louis se tornasse um lanche para ele. Dividimos o corredor longo à nossa frente, cada um cobrindo uma direção, tentando cobrir o lugar o mais rápido possível.

 

 

 

Lá longe, escutei passos vagos e irregulares; talvez fosse o vigia ou um drogado perdido pelo prédio, mas ainda estava distante. Continuei investigando cada sala no terceiro andar, e o estado deplorável do lugar indicava que, se algum arquivo ainda existisse, provavelmente estaria trancafiado no porão.

 

 

 

Enquanto eu examinava os últimos quartos, notei que o som distante de passos parara, substituído por uma respiração rápida e entrecortada, como alguém que sente medo. Em segundos, Josh surgiu ao meu lado, com o olhar igualmente atento.

 

 

 

— Está ouvindo isso? — Ele sussurrou.

 

 

 

— Sim. Não sei o que é, mas está me deixando tenso.

 

 

 

— Vou checar. Vá ao porão e cuide deles.

 

 

 

— Cuidado — Murmurei, já me afastando em direção às escadas.

 

 

 

Desci o mais rápido possível, esforçando-me para não atrair atenção, qualquer que fosse a fonte daquele som perturbador. De repente, algo pesado pareceu desabar no chão em algum ponto acima de mim, fazendo meus instintos dispararem. Meu lobo rugia por liberdade, mas segurei firme. Tudo o que importava agora era chegar até Alexs e Louis.

 

 

 

Acelerando meus passos, comecei a ouvir o som inconfundível de vozes baixas vindas do porão. Mas havia mais. Eu podia distinguir uma terceira presença lá embaixo, algo ou alguém que os cercava, e, em um instante, meu coração disparou. Sem hesitar, comecei a correr mais.

 

 

 

No corredor do primeiro andar, passos firmes e ecos inquietantes se misturavam no ar enquanto eu avançava em direção ao porão. E então, um estrondo: coisas caindo, a voz tremula de Louis, seguida pela tentativa apressada de Alexs de acalmá-lo.

 

 

 

 

 

 

Pov Louis

 

 

 

 

Estava examinando os corredores em busca de algo útil quando uma caixa em uma prateleira alta me chamou a atenção. Escalei cuidadosamente e puxei a caixa, mas antes mesmo de ver o que havia dentro, Alexs apareceu ao meu lado, me dando um susto.

 

 

 

Assim que descemos a caixa, começamos a folhear os documentos rapidamente, até que uma ficha em particular prendeu minha atenção. Parecia um registro de adoção, mas o nome estava fora de ordem. Peguei a ficha e comecei a ler, intrigado.

 

 

 

Minha concentração era tamanha que quase derrubei os papéis quando Alexs falou de repente.

 

 

 

— Essas fichas são da época que estamos procurando. A minha deve estar em algum lugar aqui no meio.

 

 

 

— Mas, pelo amor de Deus, garota! — Soltei, quase derrubando os papéis. — Não me assuste assim! Tenho o coração sensível!

 

 

 

— Ah, deixa de drama, Louis! — Ela riu.

 

 

 

— Eu sou a própria rainha do drama, então já vai se acostumando. — Brinquei, tentando disfarçar o nervosismo. — Não sabia que seus pais eram responsáveis por este orfanato...

 

 

 

— Como é? — Ela se aproximou, surpresa. — Até onde sei, eles eram pesquisadores, mas nunca soube que estavam envolvidos com um orfanato.

 

 

 

Nesse instante, um ruído ecoou pelo corredor, nos fazendo saltar. Os dois congelamos, atentos ao ambiente.

 

 

 

— Acho que tem mais alguém aqui. — Alexs sussurrou, os olhos vagando ao redor.

 

 

 

— Melhor sairmos logo e encontrar os outros. — Concordei, com o coração acelerado.

 

 

 

Sem perder tempo, dobrei alguns dos documentos e os enfiei no bolso. Estávamos quase na saída do porão quando nos deparamos com três figuras sinistras: dois homens altos e uma mulher com uma expressão quase predatória.

 

 

 

— Olha só, o lanche chegou... — Murmurou a mulher, olhando diretamente para mim com uma expressão ameaçadora.

 

 

 

— Vamos embora — Disse Alexs, posicionando-se entre eles e eu. — Não queremos problemas, apenas precisamos sair.

 

 

 

— Ah, mas nós queremos problemas, sim... — Falou o homem careca, com um tom zombeteiro.

 

 

 

— Você... é diferente. — O segundo homem, loiro e com um olhar penetrante, encarava Alexs como se a estivesse analisando.

 

 

 

— Já estamos de saída. Deixem-nos passar. — A voz de Alexs estava firme, mas eu pude perceber a tensão nela.

 

 

 

— Lamento, mas temos ordens para levar sua cabeça até nosso mestre. — Disse a mulher, com um sorriso gélido. — Quanto ao seu amigo... bem, ele vai ser o nosso lanchinho.

 

 

 

— Não estou entendendo nada! — Murmurei, apavorado. — Como assim eu vou ser o lanchinho de vocês? Que tipo de gente vocês são?!

 

 

 

— Rapazes, capturem ela. O amigo assustado fica comigo. — Continuou a mulher, claramente divertida.

 

 

 

Eles começaram a se aproximar, com passos lentos e precisos, como se soubessem exatamente o que estavam fazendo. Eu tentava manter a calma, mas quando os olhos dos três se tornaram um abismo negro, minha coragem se dissolveu.

 

 

 

Antes que pudesse reagir, a mulher me pegou pelo pescoço com uma força inacreditável, me suspendendo no ar. Meu corpo congelou, enquanto eu tentava, em vão, me libertar.

 

 

 

Com a respiração cada vez mais fraca, minha visão começou a embaçar, e eu só conseguia pensar que, talvez, nosso fim tivesse finalmente chegado.

 

 


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