Pov de Alexs

 

 

Tudo se desenrolava em um ritmo frenético, cada segundo ameaçava escapar de nossas mãos como areia. O ataque surpresa nos deixara atordoados, mas uma coisa era certa: eu não podia suportar a ideia de perder Louis. Nossa amizade era recente, mas já o considerava um irmão; vê-lo à beira da morte, sabendo que uma chance ainda existia, eliminava qualquer dúvida.

 

 

 

— Faça, Harry! Rápido! Vamos perdê-lo! — Pedi, tentando manter o controle.

 

 

 

Sem hesitar, Harry mordeu seu próprio pulso, deixando o sangue escorrer antes de pressioná-lo contra os lábios de Louis.

 

 

 

— Beba, Louis... — Sussurrou ele, com um tom grave.

 

 

 

A princípio, Louis bebeu sem resistência, mas logo seu corpo arqueou em dor, os gritos reverberando nas paredes vazias. A agonia parecia dilacerá-lo, mas logo ele se aquietou e desmaiou.

 

 

 

— Isso foi suficiente? — Perguntei, sem conseguir esconder o nervosismo. A incerteza me consumia.

 

 

 

— Vamos embora. — Disse Harry, ao pegar Louis com cuidado.

 

 

 

Seguimos rapidamente, e vinte minutos depois, chegamos à mansão de Styles. Ele levou Louis até seu quarto com toda a delicadeza, enquanto eu, incapaz de controlar o tremor, fui para a cozinha em busca de um copo d’água.

 

 

 

— Ei, vai ficar tudo bem. — Disse Josh, pousando a mão sobre a minha, num gesto de apoio.

 

 

 

Um rosnado grave cortou o ar.

 

 

 

— Tire as mãos dela, se ainda quiser continuar vivo. — Liam advertiu, a voz carregada de tensão.

 

 

 

— Agora não, Liam. — Rebati, irritada. Ele realmente deixaria o ciúme transparecer em um momento como este? Eu só conseguia pensar em quão longa essa noite ainda prometia ser.

 

 

 

 

 

Pov de Harry

 

 

 

Ver Louis desacordado na cama parecia um sonho, ou um pesadelo, que jamais imaginei viver. Antes de Alexs entrar em minha vida, eu sempre soube que havia algo fascinante em Louis: sua fragilidade humana, a beleza delicada que carregava... e o sangue. Ele sempre foi um encanto perigoso para mim, um desejo que jamais ousei seguir. E agora, vê-lo vulnerável, marcado pela transformação, fazia algo sombrio se agitar dentro de mim.

 

 

 

Louis vem de uma família grande e próxima. — como ele lidaria com o afastamento, o segredo inevitável? Enquanto essas dúvidas me consumiam, ele abriu os olhos, e um sussurro escapou de meus lábios.

 

 

 

— Olá. — Eu disse, com a voz baixa. — Como se sente?

 

 

 

— Oi... — Ele respondeu, confuso, quase envergonhado. — O que aconteceu? — Olhou ao redor, tentando entender.

 

 

— O que você se lembra? — Perguntei, ciente de que isso seria difícil de aceitar.

 

 

 

— Só... de pessoas que surgiram de repente e nos atacaram... depois dor... muita dor... seus olhos... e tudo ficou escuro.

 

 

 

— Louis... você tem noção do que aconteceu? Do que realmente o atacou?

 

 

 

— Tenho uma ideia... mas é estranho dizer.

 

 

 

— Fomos atacados. E… não podíamos perder você.

 

 

 

— Então... você me transformou? — Ele parecia hesitante, como se buscasse alguma confirmação impossível.

 

 

 

— Sim. — Admiti, estudando sua reação. O peso da transformação era algo que se levava para a eternidade.

 

 

 

— Merda... — Ele murmurou, os dedos pressionando as têmporas. — Como vou explicar isso para minha mãe?

 

 

 

— Calma. — Me aproximei, tocando levemente seu rosto, uma tentativa de conforto. — Posso cuidar disso, mas preciso que confie em mim. Quero que você venha morar comigo, na mansão.

 

 

 

— Minha mãe jamais permitiria, ela enlouqueceria...

 

 

 

— Confie em mim. Vou encontrar uma forma. — Eu hesitei.

 

 

 

— Tudo bem, confio em você.

 

 

 

— Ligue para ela, diga que vai passar a noite na casa de Alexs, e deixe o resto comigo.

 

 

 

— Harry... você não machucaria minha família, certo?

 

 

 

— Louis... — Encarei-o, mantendo a voz firme. — Confia em mim?

 

 

 

— Sim... eu confio.

 

 

 

— Ótimo. Descanse por agora. Mais tarde, pode ligar para ela. Preciso sair para acertar as coisas, mas o pessoal está na sala. Fique aqui; ainda é cedo para enfrentar o que está lá fora.

 

 

 

Ele suspirou, assentindo, e eu beijei sua testa num breve gesto de despedida.

 

 

 

— Descanse. — Disse com firmeza, saindo e trancando a porta atrás de mim. Por mais que confiasse em sua força, um recém-transformado faminto perambulando era um risco desnecessário.

 

 

 

Deixei instruções para os outros na sala e saí da mansão. Havia um último detalhe a resolver: o afastamento de Louis da família.

 

 

 

 

 

 

Pov de Alexs

 

 

 

Eu não sabia o que tinha passado pela minha cabeça ao permitir que Louis nos acompanhasse. Ele era apenas humano... o que eu estava pensando? E agora, como poderia encará-lo? Eu estava perdida em um turbilhão de culpa, quando senti os braços quentes de Liam me envolverem num abraço silencioso.

 

 

 

— A culpa é minha. — Murmurei, a voz embargada.

 

 

 

— Não foi culpa de ninguém. Ele escolheu vir. Podia ter pegado as coisas e voltado para casa, mas ficou.

 

 

 

— Como amiga, eu deveria ter impedido. Agora, como vou olhar para ele? Eu o levei direto para o perigo... entende isso?

 

 

 

— Com a mesma força de sempre. — Disse uma voz atrás de nós. Louis estava ali, com um meio sorriso, tentando desarmar a tensão.

 

 

 

— Me perdoa, Louis! — Fui até ele e o abracei. — Se eu soubesse o que iria acontecer, jamais deixaria você ir.

 

 

 

— Relaxa, garota! Agora que estou envolvido nessa confusão, o jeito é seguir adiante. E, além disso, nunca deixaria uma amiga na mão.

 

 

 

— Não era para você estar no quarto? — Liam perguntou, desconfiado. — Você ainda é recém-transformado.

 

 

 

— Estou com a garganta em chamas, mas estou bem. Não é como se eu fosse querer matar vocês todos... E estou ansioso demais pra ficar lá.

 

 

 

— Seu autocontrole é impressionante. — Disse Josh, aproximando-se, admirado.

 

 

 

— Mas não vamos abusar da sorte. — Liam disse, afastando Josh e mantendo uma postura protetora.

 

 

 

— Para com isso, Liam! Esse ciúme sem sentido está começando a irritar.

 

 

 

— Ah, então é por isso que o Harry te chama de cachorro... — Louis comentou, levantando uma sobrancelha.

 

 

 

— Olha o respeito, recém-transformado. Ainda sou o alfa dessa cidade.

 

 

 

— Liam, chega! Essa atitude de macho alfa não vai nos ajudar agora. Temos coisas mais importantes para resolver.

 

 

 

— Calma, Alexs. — Louis respondeu, aparentemente imperturbável. — Não ligo para o que ele diz, e também não tenho medo. Ele sabe que não pode me tocar.

 

 

 

— Tá me provocando, baixinho? — Liam rosnou, o corpo já tenso.

 

 

 

— Ele está certo, Liam. Você não encostaria nele. — Harry disse, aproximando-se da sala. — E você, Louis, o que faz aqui embaixo?

 

 

 

— Não consegui ficar trancado lá em cima. Aliás, desculpa... acho que quebrei a maçaneta da porta.

 

 

 

— Não esquenta. Agora, vamos sair para caçar e te ensinar algumas coisas. — Disse Harry, com um olhar incisivo. — Alexs, leve o Liam antes que isso vire outra briga. Mais tarde eu te procuro.

 

 

 

Assenti, sabendo que Harry estava certo. Peguei Liam pela mão e o tirei da sala, tentando evitar o inevitável confronto.

 

 



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