『Niall』

 

Eu vagava pelas ruas sem rumo, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto enquanto a dor em meu peito parecia me sufocar. Rafaela tinha ido embora. E dessa vez, eu sabia que era definitivo. Eu a havia perdido para sempre.

 

Sem pensar, entrei no primeiro bar que encontrei. O cheiro forte de álcool e cigarro impregnava o ar, mas nada disso importava. Me joguei em um dos bancos e pedi um copo de uísque. Um virou dois, que virou três, até que eu perdi a conta. Tudo que eu queria era esquecer.

 

A noite foi um borrão de risadas altas, corpos próximos, garrafas vazias. Em algum momento, braços delicados me puxaram, vozes sussurraram promessas vazias em meu ouvido. Eu não me importei. O álcool me fez me entregar à escuridão, e eu simplesmente me deixei levar.

 

Quando abri os olhos no dia seguinte, a luz do fim de tarde invadiu o quarto de hotel, fazendo minha cabeça latejar. Pisquei algumas vezes, sentindo a ressaca me acertar com força. E então, notei os corpos ao meu redor.

 

Três garotas estavam espalhadas pela cama, ainda dormindo. Senti o estômago revirar. Eu nem lembrava como tinha ido parar ali. O pânico tomou conta do meu corpo enquanto eu saía da cama, pegava minhas roupas espalhadas pelo chão e me vestia o mais rápido possível. Precisava sair dali. Precisava voltar para casa e colocar a cabeça no lugar.

 

Ao chegar em casa, encontrei Liam e Zayn sentados no sofá, com expressões nada amigáveis. O silêncio era pesado, carregado de julgamento.

 

 

 

Que foi? Perguntei, ainda confuso e com a cabeça latejando.

 

 

Zayn não disse nada. Apenas pegou o tablet na mesa e o jogou em minha direção. Peguei e, ao olhar pra tela, senti o estômago despencar.

 

Bem ali, estava minha imagem, saindo do bar na noite anterior, cercado por três mulheres deslumbrantes. E a manchete em letras garrafais:

 

 

“Niall Horan foi flagrado saindo do bar com 3 lindas garotas.”

 

 

O mundo ao meu redor pareceu girar. Eu mal podia acreditar no que via.

 

Liam cruzou os braços e balançou a cabeça em desaprovação.

 

 

Parabéns, Niall. Você acabou de provar que a Rafaela fez a escolha certa ao ir embora.

 

 

 

Eu nunca havia me sentido tão perdido. Era como se o mundo tivesse desmoronado ao meu redor, deixando-me no meio de uma paisagem devastada que eu mesmo ajudei a destruir. A casa estava silenciosa agora, exceto pelo tique-taque irritante do relógio na parede. O som parecia zombar de mim, cada segundo ecoando o tempo que eu tinha desperdiçado, as palavras que eu não disse e as atitudes que eu deveria ter evitado.

 

Me sentei no sofá, as mãos enterradas nos cabelos bagunçados, e encarei o vazio. A xícara de café fria na mesa de centro não era tocada desde aquela manhã. Era irônico como o calor do líquido havia se dissipado tão rapidamente, assim como o calor entre mim e Rafaela. Tudo o que restava era um vazio gelado que parecia engolir cada canto da sala.

 

Relembrei o momento em que vi Rafaela saindo correndo. A dor em seus olhos era inconfundível, mas ela estava firme, determinada. Tentei argumentar, tentei encontrar palavras que pudessem desfazer os erros do passado, mas nada que eu dissesse parecia suficiente. Porque, no fundo, eu sabia que ela tinha razão. Eu havia cometido burradas, muitas delas. Pequenos descuidos que, acumulados, se tornaram feridas profundas. Eu não percebi o quanto minhas atitudes estavam a magoando até que fosse tarde demais.

 

Agora ela estava em Londres. Tão longe, inalcançável. A ideia de que eu não poderia simplesmente pegar o telefone e resolver tudo era sufocante. Ela precisava de espaço, e eu precisava lidar com as consequências de minhas ações. Mas como lidar com algo tão esmagador? Eu sentia falta de tudo nela: o jeito como ela sorria quando achava algo engraçado, mesmo que fosse uma piada idiota; o som da risada dela preenchendo os espaços entre eles; o toque suave de sua mão que fazia o mundo parecer menos caótico.

 

A culpa era uma presença constante. Eu a levava para a cama e a encontrava esperando por mim todas as manhãs. Como eu poderia ter sido tão idiota? Eu sabia que ela me amava, e eu a amava também. Mas ele havia falhado em mostrar isso, havia falhado em protegê-la das palavras afiadas ditas no calor do momento, das promessas quebradas que eu não cumpri.

 

Peguei o violão que estava encostado no canto da sala, as cordas cobertas por uma fina camada de poeira. Tocar sempre foi meu escape, mas agora parecia diferente. Cada nota que eu tocava era impregnada de memórias de Rafaela – das vezes que ela se sentava ao meu lado e pedia para eu tocar algo especial, das canções que eu escrevi pensando nela. Tentei compor, mas as palavras não vinham. Era como se a dor fosse tão grande que eu não conseguisse traduzi-la em música.

 

As noites eram as piores. O silêncio era ensurdecedor, e o espaço vazio ao meu lado na cama parecia um lembrete cruel do que eu havia perdido. Eu ficava acordado, olhando para o teto, repassando cada erro em minha cabeça. Eu me perguntava se ela pensava em mim, se estava sentindo a minha falta como eu sentia a dela. A ideia de ser uma memória distante na vida de Rafaela era insuportável.

 

Eu sabia que não havia soluções fáceis. Não havia garantias de que ela voltaria ou de que eu teria a chance de corrigir meus erros. Mas uma coisa era certa: eu nunca mais cometeria os mesmos erros. Se algum dia tivesse a chance de segurá-la em meus braços novamente, eu não deixaria que ela escapasse. Eu sabia que precisava mudar, por ela e por mim mesmo.

 

Mas, por enquanto, tudo o que eu podia fazer era encarar a dor e esperar que, em algum lugar do mundo, Rafaela soubesse que eu a amava, mesmo que eu não tivesse mostrado isso como deveria. E, talvez, um dia, o destino nos colocasse frente a frente novamente. Até lá, eu viveria com o peso do arrependimento – um peso que eu carregaria todos os dias, na esperança de um futuro em que pudesse me redimir.


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