Pov de Harry

 

 

 

 

Sem alternativa, aceitei o plano de Alexs, acompanhando-a até o centro da cidade. Deixei-a na frente de um dos maiores edifícios da região, combinando que nos encontraríamos mais tarde em sua casa. Assim que ela saiu do carro, passei as instruções ao motorista para nos levar ao local que, por bem ou por mal, eu precisava investigar.

 

 

 

Cerca de quarenta minutos depois, a estrada de terra que levava à mansão apareceu à nossa frente. O motorista estacionou o carro, e não demorou muito para que a porta se abrisse. Dois vampiros entraram sem formalidades: Josh e Elisabeth.

 

 

 

— O que temos aqui, Styles? — Josh perguntou com um tom de inquietação.

 

 

 

— Um antigo — Respondi, sem rodeios.

 

 

 

— Então, é mesmo sério para você nos chamar. — Elisabeth sempre fora direta, com um ar sombrio e sério.

 

 

 

— Sim. Precisamos saber o que está acontecendo nessa mansão. Há algo fora do comum, e eu pretendo descobrir tudo.

 

 

 

— Seria isso sobre a... Original? — Josh entrecerrou os olhos, sugerindo mais do que perguntas.

 

 

 

— O que vocês sabem sobre isso? — Indaguei, curioso.

 

 

 

— Ele a procura há muito tempo. Algo a ver com seu passado, talvez uma antiga obsessão, ou até um amor não correspondido. Mas essa hibrida possui uma força que nem ela compreende, Styles. Uma força capaz de restaurar ou destruir o equilíbrio sobrenatural... de inaugurar uma era de caos. — A seriedade de Josh era incomum; ele parecia verdadeiramente perturbado.

 

 

 

— Mas o que ela tem de especial?

 

 

 

— Isso ultrapassa o que conseguimos entender — respondeu Elisabeth. — O melhor que podemos fazer é mantê-la longe dele até descobrirmos a verdade.

 

 

 

Dei um sinal para o motorista seguir. Em poucos minutos, os imensos portões da mansão surgiram à nossa frente. O carro parou, e um homem de físico imponente se aproximou da janela. Abri o vidro, e ele já iniciou o discurso de rejeição:

 

 

 

— Vocês não são bem-vindos aqui. Saíam agora.

 

 

 

— Exijo falar com ele — respondi, mantendo um tom firme.

 

 

 

— Não ouviu o que eu disse?

 

 

 

— Sou eu que controlo esta cidade, e exijo estar na presença de seu mestre. — Meu tom saiu em um rosnado frio.

 

 

 

Relutante, o homem cedeu, e uma mulher loira apareceu, sinalizando que poderíamos entrar. O carro avançou pelos portões, e, assim que paramos, fomos recebidos pela mulher, que nos lançou um sorriso malicioso.

 

 

 

— Bem-vindos... — disse ela. — O mestre os receberá.

 

 

 

Ela nos guiou por corredores escuros e fechados, até finalmente nos deixar em uma sala ampla, onde um grande móvel de madeira de carvalho repousava ao centro. Em seguida, ela bateu duas vezes na porta ao final do corredor, e uma voz respondeu do outro lado.

 

— Entrem.

 

 

 

A mulher abriu a porta e anunciou nossa presença.

 

 

 

— Com licença, mestre... — ela disse, saindo em seguida e deixando-nos a sós com ele.

 

 

 

— A que devo a honra de sua visita, Styles? — A voz de Zayn Malik soou como um sussurro debochado, irritante e imponente.

 

 

 

— Você sabe meu nome, mas eu não conheço o seu — respondi, contendo minha irritação.

 

 

 

— Perdoe-me pelos modos... — Ele se levantou, caminhando na minha direção. — Sou Zayn. Zayn Malik. — Apertou minha mão, fria como gelo. — E presumo que não tenha vindo para me entregar o que me pertence por direito.

 

 

 

— Vou ser direto: o que você quer com ela?

 

 

 

— Nada em especial. Ela apenas... me pertence. — O sorriso de superioridade em seu rosto era calculado para provocar.

 

 

 

— Você se instala em meu território, sem qualquer aviso, e acredita que pode agir como bem entende? Seus subordinados estão deixando rastros por toda a cidade, e isso não vai continuar. Um antigo como você não estaria aqui por causa de uma simples híbrida. Ela é mais do que isso, e você sabe.

 

 

 

— Você tem razão em uma coisa, Styles. Sou antigo. Não preciso de permissões. Ela é minha, e estou aqui para buscá-la. Quanto aos meus propósitos... eles não são da sua conta. Se você e seus amigos ainda respiram, é porque eu permiti. E pretendo usá-los no momento oportuno.

 

 

 

— Não gosto disso, Malik. A cidade já tem problemas demais para que eu precise me preocupar com você também.

 

 

 

— Sei muito bem o que você enfrenta... e vai piorar, Styles. As trevas sabem que ela está aqui. E vão fazer o possível para alcançá-la. Enquanto isso, eu continuarei protegendo-a — ele fez uma pausa, como se revelasse um segredo. — Assim como fiz durante toda a vida dela.

 

 

 

— E o “momento certo”? — Pressionei.

 

 

 

— Você saberá quando for a hora... Até lá, sugiro que aumente sua família. Nos encontraremos novamente, Styles. Tenho planos para você e para sua raça.

 

 

 

Não havendo mais o que dizer, saímos dali. Enquanto deixávamos a mansão, sua voz cortou o ar, gelada e calculada:

 

 

 

— Ah, e agradeça ao cachorro por mim... Ele tornou tudo mais fácil. Original como ele, difícil de encontrar. — A surpresa se misturou à confusão em meu olhar.

 

 

 

— E diga para ele se manter longe dela. Ou terei o prazer de cuidá-lo pessoalmente.

 

 

 

Naquele momento, percebi que estávamos mais do que presos a um jogo que mal compreendíamos. Já no carro, a distância da mansão trouxe um alívio sombrio, mas Josh interrompeu meus pensamentos.

 

 

 

— Você percebeu, Styles? Estamos mais vulneráveis do que nunca. Malik é mais do que um antigo... ele é uma força que nunca vimos antes.

 

 

 

— Eu senti — respondi, a tensão evidente. — Meus poderes se anularam diante dele... e ele sequer estava usando toda sua força.

 

 

 

— Então, o que faremos? — Josh perguntou, preocupado.

 

 

 

— Josh, vá para Nova York. Reúna nosso clã e procure informações. Elisabeth, quero você aqui. Convoque a corte e exponha a situação. Precisamos unir forças, custe o que custar. Aqueles que recusarem nossa aliança... faça o necessário.

 

 

 

Já no centro da cidade, enquanto Josh seguia suas ordens, fui direto para a casa de Liam. Eu precisava contar a ele cada detalhe dessa conversa com Malik.

 

 

 

Pov de Alexandra

 

 

 

Assim que entrei no edifício, percebi os olhares curiosos, alguns quase desconfiados, que me seguiam pelos corredores. Ignorei-os e segui diretamente ao andar mais alto, em direção à sala da presidência. Ao chegar, uma recepcionista impecável se aproximou com um sorriso gentil.

 

 

 

 

— Bom dia, senhorita Dakvell. — Cumprimentou gentilmente. — Em que posso ajudá-la?

 

 

 

 

— Bom dia. Gostaria de falar com o senhor Smith, se ele estiver disponível.

 

 

 

 

— Ele está em sua sala e certamente ficará feliz em vê-la. — O sorriso dela alargou-se um pouco mais, e logo me guiou até uma porta de mogno imponente, onde bateu antes de abrir. Uma voz do outro lado autorizou nossa entrada.

 

 

 

 

Assim que entrei, Dorian Smith, um homem de expressão fria e olhos de um azul hipnotizante, ergueu-se da cadeira com um sorriso calculado. Ele estendeu a mão para me cumprimentar, e eu retribuí.

 

 

 

 

— Senhorita Dakvell! — Exclamou, com um entusiasmo polido. — É uma honra tê-la em nossa empresa. Quem sabe você veio me dar a boa notícia de que aceitará o comando?

 

 

 

 

— Não desta vez, senhor Smith. Ainda tenho a escola para concluir, lembra? — Retruquei, notando o toque frio de sua mão.

 

 

 

 

— Ah, claro... E então, a que devo a honra?

 

 

 

 

— Na verdade, estou aqui para saber um pouco mais sobre meus pais adotivos e... sobre minha adoção.

 

 

 

 

Smith pareceu se perder por um instante em suas lembranças.

 

 

 

 

— Seus pais foram pessoas extraordinárias. Casaram-se cedo, dispostos a construir uma família. Grace ficou grávida, mas... houve complicações. Quando o bebê nasceu, não resistiu, e isso acabou com qualquer chance de ela conceber novamente. Foi então que decidiram pela adoção.

 

 

 

 

Ele parou, como se tentasse medir as palavras, e eu continuei a ouvi-lo em silêncio.

 

 

 

 

— Eles visitaram alguns orfanatos. — Continuou ele. — Na primeira oportunidade, conheceram você. Foi como uma conexão imediata, algo que... não consigo explicar. Eles sentiram uma responsabilidade imensa em protegê-la. Em menos de um mês, você fazia parte da família.

 

 

 

 

— E por que nunca adotaram mais crianças? — Perguntei, notando a maneira hesitante como ele escolhia as palavras.

 

 

 

 

— Era complicado. Suas pesquisas exigiam total dedicação, eram delicadas e tinham riscos. Simon, o braço direito de seu pai, acabou... digamos, contrariando esses projetos. Seu pai enfrentou-o, sem medo, mas o resultado foi perigoso. Simon escapou e tentou atingi-los de outra forma, então seus pais decidiram mandá-la para outro país, protegendo o que lhes era mais precioso.

 

 

 

 

Observei seu rosto cuidadosamente. Havia algo ali que não parecia autêntico.

 

 

 

 

— E sobre meus pais biológicos? — Perguntei.

 

 

 

 

— Não temos acesso a essas informações, senhorita.

 

 

 

 

— Sabe ao menos o nome do orfanato? Talvez eu pudesse... procurar por alguma informação.

 

 

 

 

— Posso tentar descobrir, mas isso levará tempo. Esse tipo de dado não é fácil de conseguir.

 

 

 

 

— Tempo é algo de que disponho, senhor Smith. — Sorri ligeiramente. — Me avise sobre qualquer novidade.

 

 

 

 

Nos despedimos, e me virei para sair. Assim que a porta se fechou atrás de mim, ouvi sua voz baixa, conversando com alguém pelo telefone.

 

 

 

 

— Sim, ela esteve aqui e fez perguntas sobre o passado... Não revelei nada, fique tranquilo.

 

 

 

 

Ele trabalhava para alguém. Alguém que queria manter tudo oculto. Saí rapidamente do edifício e chamei um táxi. Uma coisa estava clara: a verdade não viria dele. Eu teria que encontrar respostas por outros meios, e sabia exatamente onde começar.

 

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