"Ocultarás tua essência dos olhos dos profanos, pois revelar tua verdadeira natureza aos não-ungidos é trair o pacto do Sangue e condenar-te ao exílio eterno." - 1ª Tradição: A Máscara

 

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Pov de Alexandra

Acordar todos os dias sem saber se alguém estaria lá, me esperando para mais um dia sombrio e estranho, é um fardo que carrego há tanto tempo que a esperança parece uma lembrança distante. Minha vida é um caos absoluto; sou antissocial e não me encaixo com ninguém. Aos 17 anos, estou sozinha, vivendo entre sombras e segredos. Onde estão meus pais? Eles se foram, levados por um destino cruel, e eu, sem família, fui deixada à própria sorte. Fui adotada, e quando eles morreram, não havia mais ninguém. Nenhum laço de sangue, apenas o vazio.

 

 

Desde os 13 anos, minha vida é um mistério. Fui enviada para o Brasil com uma espécie de guardiã, um pretexto de intercâmbio, mas havia algo mais, algo que nunca foi revelado. Aos 15, fui emancipada e deixada à deriva, como se eles soubessem que meu destino era traçar meu próprio caminho nas sombras. Voltei a Londres apenas por causa da herança e do legado que eles deixaram. Hoje, com 17 anos, sou a presidente de uma empresa que não entendo, mas que parece me arrastar para um mundo de segredos antigos e obscuros. O braço direito do meu pai, um homem de confiança, administra tudo enquanto eu finjo ser uma adolescente normal, tentando sobreviver ao último ano do ensino médio.

 

 

As aulas começam em quatro dias, e eu passo o tempo vagando pela cidade que me é estranha, sentindo-me ainda mais perdida. A solidão é minha única companhia, e, em momentos de desespero, pensamentos sombrios me consomem. Já tentei escapar deste mundo, de várias formas. Cortei os laços com a vida tantas vezes que até perdi a conta. E, de algum modo inexplicável, sempre sobrevivo. Se sou um monstro? Um vampiro que teme o sol? Não. Um lobisomem que evita a prata? Também não. Sou algo que não deveria existir, algo que não se encaixa em nenhuma história que conhecemos. Eu movo coisas com a mente, mas não sou uma bruxa; sinto uma força sombria em mim, mas não há coven ou clã que me reivindique. Talvez eu seja apenas um erro do universo, uma aberração.

 

 

Há uma presença que me persegue, um olhar que me queima quando menos espero. Desde que voltei a Londres, esse sentimento só piorou. Não estou sozinha — mas não no sentido que se espera. Ele está lá, em algum lugar, sempre observando, sempre à espreita. Sinto seu desejo sombrio, seu desespero em me alcançar, mas quando me viro, só vejo o vazio. É como se ele se escondesse nas sombras da noite, como se me protegesse de mim mesma.

 

 

E quando fecho os olhos, ele vem. Em meus sonhos, ele me envolve em escuridão e promessas silenciosas. Nunca vejo seu rosto, mas sei que está lá, sempre fora do alcance, mas perto o suficiente para deixar sua marca. Eu acordo com seu cheiro impregnado em meus lençóis, na minha pele, como se tivesse estado ao meu lado, me vigiando enquanto durmo, me impedindo de me destruir. Será ele o salvador ou o carrasco dos meus dias intermináveis? Minha mente diz que estou à beira da loucura, mas meu coração, perdido entre sombras e segredos, ainda o procura, ansiando por um rosto que nunca vi.

 

 

Estou presa a essa presença, a um estranho e sombrio vínculo que não consigo entender. Ele é meu guardião nas trevas, meu príncipe negro que se esconde nas sombras da minha mente. Será ele um anjo caído, um demônio ou apenas um reflexo da minha própria solidão? Seja o que for, sei que meu destino está entrelaçado ao dele, em um jogo que não compreendo, mas que me prende com correntes invisíveis. E é assim que sigo, vivendo em uma eterna noite sem amanhecer, ansiando por respostas que parecem tão distantes quanto o próximo suspiro.

 

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