『 Liam 』


Vendo como eu estava, Zayn apenas me conduziu até seu carro e em poucos minutos estávamos parando em frente a uma linda mansão cheio de homens fortemente armados. Assim que descemos do carro, esses mesmos homens trataram Zayn com todo o respeito possível e logo estávamos dentro da casa.


— Louis está com o seu amigo, então... — Zayn dissera, de maneira casual. — Achei que a gente poderia... conversar melhor.


Apesar do tempo que passamos afastados, havia algo magnético em Zayn, uma força que eu não conseguia ignorar. Assim que chegamos, Zayn empurrou a porta da casa de Louis com familiaridade. O ambiente tinha aquele cheiro de memórias — uma mistura de madeira antiga, velas aromáticas e risos abafados que pareciam ecoar pelas paredes.


Sentamos no sofá da sala de estar, e por um momento o silêncio foi tão pesado que pensei que Zayn não diria nada. Mas então Zayn suspirou profundamente e me encarou.


— Liam, eu preciso dizer uma coisa. — Sua voz era baixa, quase hesitante. — Eu me arrependo. De tudo. De como fui embora, de como... desapareci. Sei que não tive tempo nem de me despedir.


Franzi o cenho, surpreso. Ele abri a boca para responder, mas Zayn continuou, como se temesse perder a coragem.


— Foi a coisa mais difícil que já fiz. E perdi muita coisa. Perdi você. — Ele inclinou-se para frente, os olhos escuros fixos nos em mim. — Eu perdi o meu melhor amigo uma vez. Não vai acontecer de novo.


As palavras me atingiram como um soco no estômago. Eu deveria me sentir tocado, talvez aliviado. Mas em vez disso, senti um peso se formar em meu peito — um peso feito de frustração e tristeza.


— Seu melhor amigo? — Repeti, com uma risada amarga. — Depois de tudo isso? Depois de todos esses anos, é isso que eu ainda sou pra você?


Zayn piscou, confuso.


— Claro. Liam, você sempre foi meu melhor amigo. O mais importante.


Me levantei abruptamente, andando de um lado para o outro.


— E isso é tudo que você consegue enxergar? Tudo o que a gente passou, todas as coisas que ficaram no silêncio... E você ainda me vê apenas como seu melhor amigo?


— O que você quer dizer? — Zayn parecia desconcertado


Ri, mas era uma risada carregada de dor.


— Eu não sei, talvez eu esteja esperando por algo que você nunca vai dizer. Algo que você talvez não queira admitir.


Me virei para Zayn, seus olhos brilhando com emoção contida.


— Harry me disse que você... — Ele engoliu as palavras, sacudindo a cabeça. — Esquece. Você não entende. Nunca entendeu.


Zayn parecia prestes a responder, mas hesitou. Seus olhos refletiam algo — talvez compreensão, talvez medo — mas ele permaneceu em silêncio. E aquele silêncio era ensurdecedor para mim.


— Eu não posso fazer isso. — Murmurei com a voz falha. — Não posso continuar sendo apenas isso pra você, Zayn. Seu... conforto, seu porto seguro. Eu preciso de mais. Eu mereço mais.


Caminhei até a porta. Antes de sair, parei e olhou para trás.


— Você diz que não quer me perder de novo, mas talvez já tenha perdido. Talvez nunca tenha me tido de verdade.


Zayn passou as mãos pelo rosto, sentindo o peso das minhas palavras e a dor aguda de uma verdade que talvez ele ainda não estivesse pronto para enfrentar. A porta se fechou em um clique suave, deixando Zayn sozinho no silêncio da casa.



As horas se arrastaram, eu vagava pelas ruas de Paris como uma alma perdida. O frio da cidade parecia ecoar a confusão e a tristeza que latejavam dentro de mim. A cada esquina, eu me via cercado por risos alheios, casais de mãos dadas e luzes que dançavam refletidas no Sena. Tudo parecia tão distante, tão inalcançável.


Caminhei sem rumo , tentando escapar dos pensamentos que me perseguiam. O amor não correspondido, as palavras de Zayn, a dor que parecia não ter fim. Mas por mais que tentasse, as lembranças me seguiam como uma sombra. Finalmente, quando o sol começou a se esconder atrás dos prédios, decidi voltar ao hotel.


Ao empurrar a porta do quarto, fui imediatamente tomado por uma sensação de surpresa. Harry estava lá, sentado no sofá, os braços cruzados e uma expressão de preocupação que parecia pesando ainda mais na atmosfera.


— Finalmente. — Harry disse, a voz firme, mas carregada de alívio. — Onde você estava? Você desapareceu o dia todo.


Suspirei, jogando a jaqueta sobre uma cadeira.


— Precisava espairecer. Paris parece o lugar certo pra isso, não?


Harry não pareceu achar graça. Ele se levantou e caminhou até mim, seus olhos avaliando cada detalhe.


— Você parece destruído.


— Porque eu estou. — Admiti, sem rodeios. Passei as mãos pelos cabelos, exausto. — Não sei mais o que fazer, Harry. Comigo. Com... tudo isso.


Harry me puxou para o sofá, forçando-me a sentar.


— Então fala comigo. Deixa eu te ajudar, cara. Você sabe que não precisa carregar isso sozinho, não é?


Olhei para Harry, e por um instante, senti algo parecido com alívio. Talvez eu não estivesse tão sozinho quanto imaginava. Mas as dores e os medos ainda estavam ali, prontos para lembrar-me de que o caminho à frente seria tudo, menos fácil.


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