Pov de (seu nome)



Eu me encontrava na vila onde nasci, no ano de 1815. Eu morava na floresta junto com meus pais. Minha vida era estranha, eu não tinha amigos e as pessoas pareciam ter medo de mim.


Eu não era igual as outras crianças, isso eu sabia, mas não entendia o porque de terem medo de mim. Mamãe dizia que eu era especial, que eu havia nascido com um dom que as pessoas não entenderiam. Com o tempo fui entender que ela era uma bruxa, mas não uma bruxa má. Já meu pai era um segredo para mim.


Cresci achando que todos me temiam por eu ser filha do rei mais temido de sua era. Mamãe havia conhecido um camponês e ela o tinha como marido e eu o tinha como um pai, tudo era tranquilo até a chegada de Victor. De início ele parecia apenas um viajante, mas o que era pra ser apenas uma estadia temporária, foi se tornando algo permanente.


Minha mãe nunca me deixava sozinha com esse homem, parecia que ela sabia de algo. Eu ouvia a conversa de meus pais e via mamãe pedir para que papai mandasse Victor embora, de que ele não era uma boa pessoa, mas meu pai não conseguia enxergar isso. Parecia que Victor sabia das coisas, então ele sempre dava um jeito de mostrar lealdade ao meu pai.


Os anos foram passando e cada vez mais eu me via distante do meu "pai". Logo veio a guerra e Victor o convenceu de que ele teria que estar com os homens quando ela fosse vencida. Eu tinha uns 14 anos quando meu pai veio falar comigo pela última vez. Ele estava sendo aquele pai amoroso que ele havia deixado de ser, mas naquele momento eu só queria saber de aproveitar a presença de meu pai.


Passamos algum tempo juntos, até que no fim da tarde fomos interrompidos por um Victor bastante agitado, eles conversaram algo, meu pai pareceu triste por um momento, mas logo ele mudou sua expressão para algo mais serio, veio até mim e me deu um beijo na testa, disse algumas palavras doces, como o quanto me amava, do quanto eu seria uma mulher forte quando crescesse, de que eu seria uma ótima governante, mas que naquele momento ele teria que tratar do meu futuro. Ele me pediu para que eu cuidasse de minha mãe e que em breve estaríamos todos juntos comemorando a nossa vitória. E foi assim que vi meu pai pela última vez.


Antes de partir, Victor me lançou um olhar estranho, mamãe percebeu e logo me fez ir para meu quarto me mandando não sair de lá até que ela mesma fosse me chamar, dizendo que tínhamos uma conversa importante e de que não importasse o que aconteceria, de que eu sempre seria mais forte do que qualquer criatura que já pisou nessa terra.


Na mesma noite fui dormir cedo, pois mamãe estava apreensiva, parecia que ela sabia de algo. Lembro ­ me de ouvir o barulho de cavalos, em seguida um estrondo e minha mãe gritando para que eu fugisse e não olhasse para trás. Assustada com tudo acontecendo muito rápido, apenas corri para a janela, a abri e pulei, correndo o máximo que minhas pernas aguentasse.


Eu estava ao fundo da floresta sombria, um lugar que era proibido pra mim, mamãe me contava histórias assustadoras desse lugar que me gelavam até os ossos. Não sei por quanto tempo eu corri até avistar um imenso castelo, escondido por entre copas gigantescas de árvores. O lugar era assustador, parecia abandonado, então não pensei duas vezes e logo fui me esconder lá dentro, assim que amanhecesse eu voltaria pra casa pra ver como mamãe estava.


Já dentro do imenso castelo, o lugar estava muito escuro, mas assim que cheguei a uma sala muito grande me deparei com algo que se movia pelas sombras, fazendo meus pelos se eriçarem, nunca senti tanto medo quanto nesse dia. De repente as velas foram sendo acendidas uma a uma como por magia, e logo na minha frente avistei um homem muito bem vestido que sorria pra mim de um jeito diabólico, eu estava curiosa pra saber quem era o homem a minha frente e não demorou muito para que ele começasse a falar.



― Seja bem vinda ao seu futuro lar, minha criança. Se aproxime... Eu não lhe farei nenhum mal.



Eu estava apavorada, então quando pensei em fugir dali o homem se materializou em minha frente. Mas o que diabos era ele? Logo todas as perguntas que rodeavam minha cabeça foram respondidas.



― Se acalme criança... Me chamo Gerard... ­ Ele disse me abraçando, mas tendo todo o cuidado para não me machucar. ­ Fomos separados quando você ainda estava no ventre de sua mãe. Sou seu pai.



"Sou seu pai", palavras que ecoaram por meu cérebro me deixando muito confusa. Então logo ele me contou que desde que ele viu mamãe pela primeira vez, que ele soube o que era amar de verdade, ele tentou de todas as formas uma aproximação, mas mamãe sempre fugia dele, até que em uma noite ele conseguiu a fazer sua, e dessa noite de amor eu fui gerada. Ele tentou de tudo para que mamãe ficasse o castelo com ele, mas ela conseguiu fugir e o mantinha longe através de magia.


Então realmente meu pai era um rei mais temido como eu imaginava, mas logo minhas divagações foram dispersas por um Victor sorridente, entrando como se já conhecesse aquele homem.



― Senhor... Tudo ocorreu como o senhor previu. Agora nada lhe atrapalhará.


― Você foi leal a mim Victor... Então cumprirei com o acordo... Lhe darei a mão de minha filha em casamento. Faço gosto dessa união.



O que? Como assim? Se eu era a suposta filha desse louco, isso significa que eu...



― Sim minha querida... Vocês se casarão no momento certo e nesse dia grandioso eu os trarei para a escuridão.



Isso foi demais pra mim, saber que estava condenada a me casar com um homem que eu não amava pro resto da eternidade. E assim foram os meus dias de pura tristeza dentro dos muros daquele castelo. O tempo foi passando, minha vida já não tinha cor, até conhecer Lucian, o melhor soldado do meu pai.


Fiquei muitos dias trancada no castelo, pois não queria me encontrar com Victor, mas em uma bela manhã eu decidi sair e assim que cheguei ao pátio, o vi todo lindo dando ordens a alguns soldados que estavam por ali.


Foi amor a primeira vista, e quando ele finalmente me notou ali parada o admirando, fui correspondida instantaneamente. Sempre dávamos um jeito de nos vermos as escondidas, pois se meu pai soubesse poria um fim no nosso amor.


E foi assim que selamos nosso amor, por magia, não queríamos dar fim a algo tão lido e intenso, até que um dia Victor descobriu e me delatou para meu pai, que a contragosto, colocou fim ao nosso amor. Ele gostava muito de Lucian, pois ele era um ótimo soldado, apesar de ser muito novo. Ele o transformou quando o sol já estava alto, ele o jogou no pátio e fui obrigada a assistir sua morte.


Seu corpo se envolveu em chamas, eu não tinha forças de fazer nada para ajuda ­lo, mas eu sabia que o nosso amor era mais forte que tudo. Depois disso meu coração se encheu de ódio e jurei a mim mesma de que assim que eu me transformasse correria o mundo pra encontrar o meu verdadeiro amor e assim o fiz.


Assim que completei 15 anos a cerimônia aconteceu e eu e Victor fomos transformados por meu pai e quando finalmente fomos para a sonhada lua de mel eu encantei todo o castelo e assim consegui fugir e desde então vivo pelo mundo a procura do meu grande amor Lucian.


Foram séculos a procura dele, minha busca era incessante, mas eu tinha que tomar cuidado com Victor e meu pai, pois eu sabia que eles viriam atrás de mim. Até que finalmente quando cheguei a Londres algo me chamou a atenção, não sei explicar, era uma força que me chamava e quando cheguei, notei 5 rapazes, havia algo neles que me prendia e eu não conseguia encontrar a razão para isso, até que algum tempo depois eu descobri que de alguma forma, eles tinham um pouco de Lucian.


Então sem perder tempo grudei neles como sombra, fazendo minhas pesquisas e através de magia descobri que eles continham um pouco da alma de Lucian, era como se a alma dele se dividisse para proteger a essência dele e agora finalmente estávamos juntos.


Foi difícil a decisão de transformá-­los, mas era isso ou fica sem ele novamente e quando finalmente só faltava Louis para ser transformada, Victor reapareceu em minha vida, ele estava mais forte que antes e eu temia pelo pior. Para proteger os rapazes eu preferi me entregar, preferia ficar sem eles, e ter a certeza de que eles ficariam bem do que arriscar a vida deles novamente e talvez isso tenha sido o meu erro.


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